Batendo uma pelota

Bob e Jimi aquecendo.

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O pau que bate em Chico, bate em Francisco?

Me sinto bem no lugar onde nasci. Moro no Brasil e no Rio de Janeiro. Há uma diferença nisso, sem ufanismo. O Rio é o satélite brasileiro no mundo. Ele transmite a aura brasileira. Aqui vemos de tudo que há no país. O Estado do Rio está no ranking brasileiro das cidades mais violentas, das mais seguras, das mais ricas e das mais densas em população. Nossa cultura valoriza a beleza, a esperteza e a inteligencia. Compartilha instrumentos culturais majoritariamente com o ocidente, com uma forte influência catolica, mas também é aberta para todos os tipos de religiosidades, sendo culturalmente formada na diversidade. Não posso, no entanto, me sentir satisfeito com os mal feitos daqui. Sofremos de cegueira, surdez e mudez. Não damos a devida atenção aos mais pobres, não nos importamos de fato no que fazem com a nossa voz e nos calamos muitas vezes, tendo aquilo que durante tanto tempo nossos avós lutaram para ter, achincalhado pelos nossos representantes politicos. São tantos concorrentes, que uma nuvem de fumaça se cria e não podemos exercer o nosso poder cobra-los como se deve. O destino do dinheiro público é sombrio e a percepção de corrupção aqui é maior do que em países que não conhecem democracia e vivem sob regimes autoritários, como o Bahrein e Ruanda. Dessas coisas não me orgulho.

Kadhafi e Berlusconi, premier italiano. Um ditador e um eleito indiretamente, mas numa democracia. Historicamente, quem foi mais atencioso a seu povo?

Seja como for, não penso em mudar de país tão cedo. Mas entender as curvas da minha vida de cidadão, deixa mais facil imaginar como seria viver em outros lugares. Talvez fosse bom negócio para um europeu ir morar em um país muito bem seguro contra crises financeiras internacionais, com um banco central forte, independente do resto do mundo e 100% público (com um lastro financeiro próprio de mais de US$8bi em ouro, calculando por baixo), ou para um brasileiro de Jordão, município do Acre que tem um dos maiores índices de habitantes miseraveis, viver em um país onde a saúde é de excelente qualidade e acessivel a todos. Com certeza, qualquer habitante do planeta, ficaria com um sorriso estampado no rosto, se ganhasse por emprestimo sem juros, US$50mil ao se casar. Talvez nesse lugar, você não tenha que escolher entre o Tiririca ou o Macaco Tião para ser seu porta voz e possa simplesmente contar com o auxilio de um só homem, um grande líder que protege sua nação, como é por exemplo o Partido Comunista para a China. Um comandante que ordena que as aguas mais profundas do deserto do Saara alcançem a maioria de seu povo na costa do país. Para isso, independente de emprestimos, paga à vista uma obra de mais de US$25bi. Olhando pela educação, pela saúde, pela autosuficiencia e ainda dando dinheiro para a população, não é dificil ter uma boa vida. Lá quase todo mundo tem carro, por vantagens dos subsídios do governo. Esse lugar era a Líbia.

Para quem vai sua cabeça numa bandeja de prata?

Kadhafi era o dono do país. Mas isso não significa que ele não podia ser um bom patrão. Nossos Estados democraticos hoje são tão confusos e cheios de nuances que nem os proprios representantes legislativos em geral, tem domínio total sobre seu funcionamento, só se preocupam com interesses particulares, com muita boa vontade, de sua propria região. O que existe é uma cadeia de níveis que não permitem o controle à distância nem mesmo pelos proprietários do país, os cidadãos. Todos sabiam quem era Kadhafi. Os recursos pessoais que ele roubava e tinha alocados em bancos ou investimentos no exterior, estão voltando para os “rebeldes”. Não se importava em ser estridente na sua moda ou ter o respeito através do medo ou admiração do povo da Líbia, mas era o que era e pelo o que diz o relatório da ONU sobre os direitos humanos naquele país, não o impedia de cuidar bem de sua gente.

Meta poder. O dinheiro do banco líbio e o GMMR impresso na nota, dois orgulhos do povo.

Interessante que fatos relevantes são totalmente abstraidos dos noticiáios de massa. Quando nos anos 50 se buscava petróleo no deserto do Saara, nordeste da Líbia, foi descoberto o maior reservatório de água do mundo. O Aquífero de Arenito Núbia está debaixo de 4 países (Líbia, Chad, Egito e Sudão) e teve seu aproveitamento focado exatamente na Líbia. A construção do GMMR (Great Manmade River ou Grande rio feito pelo homem) iniciada em 1983 e que custou mais de US$25bi foi uma revolução na segurança alimentar e fez o país ser cada vez mais independente. Os bombardeios da OTAN dos ultimos dias, que buscavam aliviar o povo do país da vida terrivel que eles levavam sob o domínio de um ditador, quase causaram um desastre humanitário ao colocar em risco as plantaçoes e as piscinas que trazem agua do fundo da terra, no meio do nada.

Enquanto tentam ser os heróis da história, a liga da justiça do ocidente (leia-se OTAN), deveria se importar muito mais com o exemplo de um país com um pouco mais de 6mi de moradores, chefiado por um cara que consegue ter sucesso no seu negócio sem maiores perturbações. Uma clara ameaça ao modelo imposto a nós, aqui do ocidente e fazendo o que na verdade eles tem vontade de fazer, serem soberanos em seus comandos.

No meio do deserto, circulos de 1km de diâmetro que criam plantações ou piscinas de agua potável.

Nunca vivi em um lugar com essas configurações e não quero fazer comparações pela metade, sendo irresponsável ao parecer defender algum lado. O poder centralizado, sem ter o direito de reclamar algo juridicamente e sem a garantia de isenção no julgamento como qualquer cidadão, seria sem dúvida um problema inclusive para ter um Blog como esse. Mas do ponto de vista da maioria da população, pode valer a pena a privação de algumas liberdades, ainda mais se a perspectiva individual for mulçumana, como a do governo e o acordo for bom para os dois lados. Se tinham uma vida tão boa, numa enorme classe média de alto padrão de vida, com um elevado IDH, com o poder concentrado na figura de Kadhafi, porque a rebeldia? Me pergunto, de forma singela, se esse levante é realmente popular. Se quem sabe após uma sessão de um filme hollywoodiano um grupo se empolgou para usar uma urna eletrônica ou para fundar um banco que substituisse o banco central Líbio, enquanto lutariam contra um velho que os julgava, ainda que bem. Da onde tiraram a ideia de que seria uma boa coisa mudar o time com o jogo ganho? Me parece ter mais motivos os governos ocidentais, que podem escolher se implicam com a independencia financeira da Líbia, com a posse do maior aquífero do mundo, com a construção faraônica de Kadhafi, com a impossibilidade de poder controlar a barganha na compra de petroleo (a Líbia é o 8º provedor de petróleo do mundo) ou de todas as opções ao mesmo tempo. Essa resposta nem o Google ousaria responder, só o tempo mesmo.

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Fritos

Acabou-se a vergonha. A desculpa sai fácil e a menória é curta o suficiente para que pequenos tropeços sejam esquecidos. Ninguem mais se importa de ser exposto ao ridículo ou que façam piadas de si. A malandragem da vez é simples: seja honesto. Não importa se seu motivo é bom ou não, se há pertinencia naquilo, desde que seja autentico, tem espaço. Essa moda da sinceridade tem sensibilizado o universo das marcas e das imagens públicas, inclusive as midiáticas. Agora que a colaboração produzida pelo consumidor se transforma em material de campanha, que o feedback é medido cada vez mais rápido e que não se pode escapar de uma recepção negativa, pois tudo está muito exposto, o ideal é que a mensagem esteja cada vez mais em consonancia com a opinião real do publico. Quem vende gato por lebre, não consegue ir mais lonje do um punhado de buscas negativas na internet.

Todo mundo sabe que o Anderson Silva tem a voz fininha, que o Byafra é insuportável na musica Sonho de Ícaro, que o Ricardo Macchi é mau ator até falando português e que o Beto Barbosa sempre foi e será, brega. Mas e daí? O Cigano Ígor (único e mais famoso papel de Macchi em novelas), ainda tem seu público, assim como Barbosa e Byafra, que brilharam na década de 80 e 90, mas que deixaram de ser o “pop” da vez. Fazer graça de si mesmo é um tipo de humor altamente ironico e sarcastico, que é sempre pertinente quando o objeto da chacota não se importa e sabe rir de si mesmo. Com facilidade, causa empatia em quem assiste e ajuda a transferir um conceito e ser engraçado, se for bem usado. Os comerciais que usaram as estrelas que falei acima, tem objetivos diferentes e nem todos são bons, mas tem em si essa capacidade de entender a circunstancidade da opinião e a grandeza de reconhecer perante aos outros suas fraquezas e tirar proveito disso.

PC Siqueira é exatamente o que ninguem quer ser. Nerd, feio, vesgo e esquisito. É o que é.

Nos anos 50, um tipo de comedia iniciou nos cabarés e ganhou o nome Roast comedy. Uma pessoa teria a honra de ser fritado, ou roasted, diante de uma platéia que adorava ver as sacanagens que faziam com os escolhido Fritar, significa rir da cara da pessoa e fazer piadas com suas dificuldades e deficiencias, sem perdão. Essa encenação deixa a todos em uma reunião proxima e descompromissada, ja que todas as atenções se voltam para o fritado.

Sheen e a autópsia social.

Nos ultimos anos, tivemos um personagem midiático que teve sua vida mais do que xeretada e devassada, e acabou expondo sua vida totalmente louca. Seu personagem em uma série da TV se fundiu com o individuo e Charlie Sheen passou a ser Charlie Harper. O que a Warner Channel passava na sua grade de programação era na verdade como o ator realmene vivia, sem nenhum apego a nada que não fosse mulher, bebida e sacanagem. Se expôs e ganhou mais fãs do que tinha antes. Sem querer (ou por querer) se tornou a sua propria ficção e passou a ser um personagem vivo. Diferente dos outros que citei, que aprenderam que nada adianta ignorar o que realmente o publico fala de deles, Sheen não tem nenhuma barreira entre seu privado e o seu público. Nada seu pretendia estar escondido, tudo era escancarado para todos. A aderencia foi natural. Como se não bastasse, um dia Charlie foi fritado. O resultado vc vê acima.

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Rio Cello Encounter

Durante 15 dias foi possivel ver no Rio um encontro de musicos de todo o mundo, celebrando a musica classica, a criatividade e a beleza no XVII Rio International Cello Encounter. Eles percorreram 5 cidades (Cabo Frio, Barra Mansa, Volta Redonda, Búzios e Rio de Janeiro) dentro do estado e mais Tatuí, no interior de SP. Entre teatros, salas, conservatórios e parques públicos, foi possivel conhecer a riqueza e a profundidade que existe nas possibilidades musicais do violoncelo. Pode se extender em graves que se recompoem nos agudos, no melhor estilo barroco, ou pode se chocar o arco com as cordas enquanto é dedilhado para dar um tom mais forte e pautado no som.

Um ícone na musica classica brasileira. Jaques Morelembaum em Samba de uma nota só, de Jobim.

No Brasil o multi-instrumentista Yaniel Matos leciona musica no conservatório de Tatuí. No Parque Lage, ele descolou o instrumento à erudição na qual ele é frequentemente encontrado. Mistura elementos de musica caribenha, rítimos brasileiros e jazz, abusando do uso de atabaques e outros de percussão. Não é só para ouvir, é para para participar. (Link para o MySpace do Yaniel)

A exploração de sentidos que experimentamos com esses acordes, submerge os sentidos e tem o poder de um quase teletransporte para onde a emoção de cada um levar.

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De olho

Dentro das coisas que convivemos diariamente no Brasil, essa talvez seja a mais perniciosa, no hall das que não nos orgulhamos. Com frequência, ela é confundida com o jeitinho brasileiro. Esse que tudo tem a ver com a persuasão, apelando à emoção e se esquivando das burocracias que encontramos pela frente. Subornar um policial ou um servidor público atrás de uma mesa é bem diferente de trocar um sorriso por um pequeno favor, compartilhando empatia. Praticar a corrupção é danosa sempre, numa visão geral.

O sentimento de permissividade que é criado pela curva que se faz para conseguir alguma coisa, pode ser facilmente combinado com algum dinheiro. Acredito que nós brasileiros, inclusive, temos uma percepção sobre nós mesmos até mais corrupta do que pessoas extrangeiras, aqui ou la fora. Mas o quanto somos de fato corruptos? Se há níveís, qual o nosso? Até então nosso índice apurado pelo Transparency International outros países tem sido 3,7 (na 69º posição, pesquisa de 2009), de acordo com um cálculo que mede o índice de 182 paises.

Clique na imagem para ver o documento

Hoje é inaugurado o Observatóro da OAB. Nele pessoas poderão fazer denuncias e acompanhar processos sob a acusação de corrupção. Apesar da ferramenta vir bem a calhar, para quem sabe um dia poder mensurar pequenos e grandes delitos, ainda falha na talvez a melhor oportunidade que tem, a vantagem de se fazer isso através da internet. Como foi feito, talvez até para um resguardo jurídico necessário, joga fora o anonimato, fundamental para superar a maior dificuldade desse tipo de instrumento. Não seria mais prático e eficiente, como medida de verdadeira preocupação não identificar o denunciante? No entanto, vale a visita e a esperança de evolução para o site e para a propria sociedade.

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Pouco barulho por muito

Our bodies are our gardens and our wills are our gardeners. 

O autor dessa frase foi mais do que um investigador da arte corporal e superficial das pessoas. Estudou a fundo os desejos, os conflitos e até versou o que Freud chamaria de neurose muitos anos depois. Mas como dramaturgo, sua aforia pode ser entendida em todas as camadas humanas nas quais seja necessário um jardineiro ou um curador, nesse caso.

 

Peter Aurisch recria e sonha a flor da pele. Literalmente.

As inspirações artisticas podem ser expostas de todas as formas possiveis. Nas artes plasticas, através da musica, na arte verbal e visual. Os desenhos, formas e as combinações de cores que percorreram a arte de Miró e Kandisnky podem também estampar costas e braços criando uma perspectiva para cada observador. Nesse pique, a artista plastica Amanda Wachob se destaca criando figuras que podem ter vários entendimentos ou até mesmo, nenhum.

A arte corporal assim como todas as artes percorre seu ciclo de renascimento. A tatuagem que vemos aqui se atreve a uma capacidade de expressão e sofisticação que enriquessem seu conteúdo de fato artistico.

A frase é de Willam Shakespere.

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Diferenças

Symmetry

O mais faz o menos e o maior faz o menor. São iguais na diferença.

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